Humorista Evandro Santo volta à TV como apresentador: "Sou mais sério e nerd do que você imagina"

09/06/2020
Evandro Santo. Foto: Marcelo Alcantara/Divulgação
Evandro Santo. Foto: Marcelo Alcantara/Divulgação

Programa "Reinvenção" estreia em julho, na "TV WA" - extinta "Play TV"

O humorista Evandro Santo, que foi o maior sucesso no programa "Pânico" com seu personagem "Christian Pior", é o nosso entrevistado de hoje (09). Papo vai, papo vem, conseguimos arrancar com exclusividade desse mineiro, de 45 anos, tudo e mais um pouco.

Evandro falou de sexo com famosos (héteros), sua fase no mundo das drogas - que em breve entrará em maiores detalhes no seu novo programa de TV, "Reinvenção", que estreia em julho, ainda sem data.

Agredido, vítima de homofobia, ele acredita no sucesso do processo que teve que entrar em desfavor do seu agressor, para poder ajudar causas em apoio ao movimento LGBT. Teve até recado para Jair Bolsonaro também!

Vem saber tudinho aqui: 


FeFala: Soube que está contratado da extinta "Play TV", agora "TV WA". Me conta como começou isso e o que você está escalado a fazer?

Evandro: Eu estava indo para a minha sessão de coaching com a Yara, indo a pé para a Paulista e do nada, o Luiz Afif, meu amigo da época do "Pânico" que foi meu produtor e diretor de externa me ligou, falando de uma TV nova. Na hora o interrompi e falei para ele, "que horas pode ser nossa reunião amanhã"?, assim, direto, porque somos homens diretos e marcamos a reunião para o dia seguinte já às 14:00 e fui com o Darwin, meu produtor. Fui sem ideia nenhuma na real, branco de ideias e quando cheguei lá, ouvindo o que o elenco iria fazer, eu pensei em fazer algo novo que nunca fiz que foi falar sobre saúde mental. Batemos o martelo e ficou este tema, só que com a pandemia e o impedimento de gravar externas e no confinamento, mudamos o foco para algo mais factual e resolvemos criar um programa chamado "Reinvenção", como as pessoas em diversos setores profissionais estão se reinventando na pandemia e o que esperam no pós. Então inicialmente o meu programa e projeto se chama "Reinvenção".

FeFala: O Luiz Afif, que te dirigia no Programa "Pânico", será o seu diretor? Ele que te levou à "TV WA"?

Evandro: Eu tenho uma história muito antiga com o Luiz Afif, na época do "Pânico" eu cruzava com ele nas festas, porque ele era da produção do Amaury Júnior e eu, rsrsrs, achava ele um gato, e vivia infernizando ele nas externas, e ele muito a frente do tempo, ria e dava pilha para as minhas palhaçadas. Ele acabou entrando no "Pânico" como assistente de produção e por competência total virou produtor, e depois se interessou por externas, virou assistente de matérias externas que são as mãos difíceis, e virou diretor de externa. O Afif é um cara muito sofisticado e como eu, ama fotografia e arte e desenvolvemos uma amizade, devido as muitas viagens que fizemos juntos e fora os micos e encrencas que ele me salvou, estava lá o Afif, com a sua paciência de Jó, me suportando não sei como. 

FeFala: Como está a sua relação com a rádio "Jovem Pan", Tutinha, Emilio? Soube que alguns saíram de lá bem insatisfeitos, o que houve afinal?

Evandro: O "Pânico" é o "Pânico" e foi um divisor de águas da minha vida. Tive grandes momentos históricos lá, claro, nem tudo eram rosas, até porque era um elenco gigante, cheio de pessoas loucas, geniais e ambiciosas e testamos tudo, até nossas vidas privadas em nome do entretenimento, porém, era a linha editorial do programa, você sabia que o "Pânico" era daquele jeito e fazia porque queria, somos adultos, podemos dizer sim ou não, certas coisas, hoje eu não faria, mas, quando eu mais precisei, eles me deram a mão, me ensinaram a ser resistente, cara de pau e ser disciplinado, e aumentaram a minha visão real da vida. Falo sempre com o Emílio, ele sempre me responde, eu o adoro, até porque as pessoas não tem ideia do que uma pessoa numa posição de poder, tem que passar, pesar, decidir, o poder é pesado. Quanto ao Titis, que chamo o Tutinha, eu adorava invadir a sala dele com reuniões sérias falando absurdos e ele ria, fora os grandes calendários da Pirelli que ele me deu. Mas tanto o Emílio, quanto ao Tutinha e o Allan, sempre tomavam cuidado para não termos nossos egos inflados, não deixavam a gente se achar demais, o que no fundo é bom, pois é uma carreira cheia de altos e baixos e não, não saí insatisfeito de lá. Qualquer erro que cometi, foi eu que cometi, porque sou adulto e odeio vitimismo.

FeFala: Você foi brutalmente agredido ano passado, vítima de homofobia. Processou o agressor? Em que pé está esse processo?

Evandro: Sim, fui e fiquei impactado, pensei em não fazer nada, fui dormir com a cara inchada, mas no outro dia, coloquei no Instagram, e aí, o Agripino, e o Doutor José Beraldo me ajudaram, o processo está em andamento, a indenização é de sessenta mil reais, pago os advogados, e vinte e cinco por cento serão doados para causas que já apoio LGBT, amo ajudar os lares e abrigos, me sinto um ser humano mais relevante.

FeFala: Já tinha sofrido outros tipos de crimes parecidos?

Evandro: Ah, apanhava lá em Uberaba quando era uma bichinha 'Poc Poc', o pessoal se reunia para me bater na saída da escola, mas depois que eu me assumi com doze anos, isto incrivelmente parou de acontecer.

FeFala: Mineiro, 45 anos, o Evandro Márcio dos Santos é muito bem resolvido com a sua homossexualidade como vemos. Desde criança você já se assumiu, e seus pais? Podemos falar sobre isso?

Evandro: Amo minha mãe e minha irmã, todos nós evoluímos e crescemos e somos seres humanos melhores.

FeFala:  Soube que teve um período da sua vida em que você se envolveu com as drogas, é verdade isso? Faz tempo? Está bem em relação a esse 'vício'?

Evandro:  Sim, tive uma fase pesada sobre drogas, todo mundo sabe disto, mas estes detalhes logos serão revelados por minha pessoa, por minha voz, com minha visão e não a de terceiros, aguarde, será emocionante!

FeFala: O personagem de grande sucesso, aliás, sua marca "Christian Pior" tem o quê a ver com o Evandro?

Evandro: O "Christian Pior" na verdade foi inspirado em um grande amigo meu que morreu, um amigo que me ensinou de tudo, o bem e o mal, o sublime e o pecado, e foi o cara que me colocou no humor.Ele é o Christian Pior, meu mentor de adolescência aqui em Sampa. Devo muito a ele.

FeFala: Esse personagem vai com você para a "TV WA"? 

Evandro: Em alguns momentos, sou naturalmente bem humorado e debochado, mas sou mais sério e nerd do que você imagina, meu próprio psiquiatra me chama de complexo além da conta.

FeFala: Já se envolveu (sexualmente falando) com algum famoso que se diz hétero? Pode dizer quem?

Evandro: Claro que já! E claro que não conto. Até porque o segredo do sexo proibido é a discrição, mas prefiro me relacionar com gays assumidos, mas como homem, tenho as minhas taras e gosto de realizar as minhas fantasias e fetiches.

FeFala: Se você se encontrasse com o nosso presidente Jair Bolsonaro em um jantar e tivesse que se sentar na mesma mesa que a dele, qual seria o papo que você abordaria?

Evandro: Eu diria a ele: "Jair, governar uma nação é ir além das suas verdades e crenças, é pensar macro e não micro, um verdadeiro presidente tem que entender que o ser humano é diverso, e por isto, a mente tem que se abrir, e que não existe uma verdade absoluta e sim, várias verdades em várias situações."

Evandro Santo. Foto: Marcelo Alcantara/Divulgação
Evandro Santo. Foto: Marcelo Alcantara/Divulgação
Evandro Santo. Foto: Marcelo Alcantara/Divulgação
Evandro Santo. Foto: Marcelo Alcantara/Divulgação