Dia Das Mães: Ser mãe está acima de tudo e todos

Por Fernanda Alves

Hoje escutamos muito a frase "mãe solteira", quando se tem um filho de uma forma que não seja a mais "tradicional". Mas, se a gente for a fundo, existe ainda essa tal forma?

Não, assim como nunca existiu! Ser mãe está muito além de status de relacionamento, muito acima de um amor a dois, muito mais envolvido que ser casada ou solteira. Ser mãe é um status único, pessoal e intransferível! Ser mãe já é ser uma família completa!

Vemos casamentos aparentemente perfeitos, onde se programam ter filhos. Tem também àqueles que se separam pós maternidade e ainda os que sobrevivem pós nascimento. O meu caso foi encarar um filho, no auge dos meus 29 anos, (fase mais aflorada daquela mulher que nasceu para ser mãe, meu caso), onde o susto da gravidez não planejada caiu como um presente. Mas confesso que eu ainda achei que ter um filho, era quase que o mesmo que 'brincar de boneca', por mais que escutássemos por aí o quão difícil era.

Quanta inocência, pois idealizar um sonho, jamais nos mostra tais dificuldades. Eu por exemplo, vomitei os nove meses, tive uma fortíssima depressão nos três primeiros meses de gestação, onde fui internada por três vezes. Acha que acabou? Não! O parto foi normal, a agulha ao dar a anestesia (sim, a gente toma anestesia em parto normal) quebrou por duas vezes na minha coluna, onde desenvolvi uma cefaleia gigantesca e todas as fotos que estou na maternidade, estou deitada, estafada, mas sempre com um sorriso no rosto de puro êxtase por me tornar mãe. Nada me abalava, e olha que os problemas naquela época eram diversos. Falo de quinze anos atrás.

Chegando em casa, ao começar aquele convívio mãe x filho, o que é bem diferente do convívio que tive dentro do meu útero, tive mastite, febre, o bico do meu seio sangrava, mas a satisfação era tão grande, que independente de chorar para amamentar, jamais pensei em desistir.

Os dias foram se ajustando, o convívio idem e o amor, ah, esse crescia sem nenhuma explicação.

E foi assim que eu de fato enxerguei minha missão nesse mundo. Coisa sem graça estar hoje, aos 44 anos, caso não tivesse meu filho. O amor aumenta dentro de nós, passamos a ser coadjuvantes da nossa própria história, dando espaço a um serzinho totalmente dependente e quando achamos que aquele degrau imenso da educação, dos bons costumes, do ensinamento está chegando ao 'fim', como se tivéssemos cumprido nossa missão em meio a adolescência que se aproxima, aí que enxergamos que a maternidade está apenas começando, pois é a fase onde se exige mais cuidado, atenção, amor e compreensão.

Ser mãe 'sozinha' de um adolescente é um presente de Deus. Falo porque você ensinar a falar, andar e fazer xixi no vaso, fica tão pequeno diante dessa imensidão que é tentar compreender uma nova história, de uma criança que até 'ontem' você conseguia dominar, no melhor sentido da palavra, mas depois vê que ele vai crescendo, se tornando independente, tendo suas próprias vontades, descobertas, não que antes não tivesse, mas a fase da adolescência conflita e muito com os nossos pensamentos, e é aí que vemos o quão importante é a parceria entre pai e mãe junto aos nossos filhos.

A adolescência é a fase mais complexa e ao mesmo tempo mais perigosa de um ser humano pelo que entendo. Nela vemos a formação de caráter, princípios, se de fato o que construímos tem algum retorno favorável. Se quiser se drogar, vai se drogar e o acesso será inevitável, independente da educação proporcionada. Se quiser ter opinião formada perante aos amigos, que o chamarão de 'careta' por muitas vezes, também será desafiador e é onde ele consegue a tal identidade, autoconfiança, princípios básicos para o sucesso de um ser humano em construção, em transformação.

Todos os detalhes se tornam indispensáveis, importantes. O "não" ainda prevalece no diálogo, o entendimento idem, a forma como fingimos que aquela discussão se torna irrelevante, apenas para que possamos ter uma boa relação, se torna desafiador entre ambos e isso gera um crescimento único, prazeroso, incondicional!

Ser mãe ainda está acima de qualquer sentimento, de qualquer prazer, de qualquer benefício. Ser mãe vai além de tudo o que vivemos. Ser mãe vai além de nós mesmos!

Feliz dia das mães!